‘Galvão! sentiu’: Bolsonaro muda a rota após a entrada de Lula no jogo político

Presidente vê o petista como uma ameaça a sua reeleição

(Foto: Alan Santos)

Foram necessários apenas dois dias após a restituição dos direitos políticos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para que o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) mudasse o tom. A entrada do petista, que teve suas condenações na Operação Lava Jato anuladas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, no jogo político retirou o chefe do Executivo do eixo.

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Desde o início da pandemia da Covid-19, Bolsonaro tem criticado e incentivado o desrespeito a medidas de enfrentamento ao coronavirus, indicadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e profissionais da área. O Isolamento social, o uso de máscaras e a vacinação foram os principais alvos do ex-deputado durante o período.

(Foto: Reprodução/TV Brasil)

Em momento raro durante esta pandemia, o presidente apareceu nesta quarta-feira, 10, usando máscara ao lado do alto escalão do Governo, para sancionar a lei que facilita a compra de vacinas contra a Covid-19. Levantamento realizado pelo G1 apontou que o Bolsonaro não usava o equipamento em evento oficial desde 3 de fevereiro, quando participou de sessão solene de abertura do ano legislativo no Congresso Nacional.

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O mais recente flagrante desrespeito do uso de máscara pelo chefe do Executivo aconteceu durante visita ao Ceará, em que, mesmo sabendo da situação crítica do aumento de casos e mortes em decorrência da doença no Estado, causou aglomeração no município de Tiaguá. O passeio do presidente, para a assinatura da retomada de obras viárias em cidades do interior e na Grande Fortaleza, foi classificado como “grave equívoco” pelo governador Camilo Santana (PT).

Pazuello (Foto: Reprodução/TV Brasil)

As mudanças não param por aí. Há tempos o presidente elegeu a imprensa, que notícia diariamente sua insanidade a frente do Planalto, como inimiga. Tudo que Bolsonaro mais tem feito é atacar e legitimar ofensivas de seus apoiadores e agentes do Governo a profissionais da mídia.

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Apesar disso, o titular do Ministério da Saúde Eduardo Pazuello veio com tom diferente com os jornalistas no evento desta quarta no Palácio do Planalto. “É sempre muito bom podermos falar por intermédio dos senhores para os brasileiros. É um papel primordial que os senhores cumprem”, disse. A atitude do ministro muito difere da que teve em janeiro deste ano, quando disse: “Não queremos a interpretação dos fatos dos senhores, nós não queremos tendência ideológica”.

A mudança mais significativa e talvez a mais incoerente, ao meu ver, é a que diz respeito a vacinação. Desde o início da pandemia, todos os esforços para vacinar os brasileiros e evitar o grande impacto do coronavírus na população foram boicotados. Em flagrante briga política com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), Bolsonaro por vezes fez questão de descredibilizar as tratativas do tucano para avançar na aquisição da Coronavac, desenvolvida pela laboratório Sinovac e testada no Brasil pelo Butantan.

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(Foto: Reprodução)

O presidente chegou a dizer que não compraria a vacina mesmo que aprovada pela Anvisa, sugerindo que o imunizante tinha “descrédito muito grande” por sua origem chinesa. A fala do político gerou uma avalanche de ataques a vacina, alimentando um negacionismo que tem custado a vida de milhares de pessoas.

(Foto: Reprodução)

Curiosamente, depois de todo esse histórico, o senador Flávio Bolsonaro (PSL) compartilhou uma foto do pai em que destaca a frase: “Nossa arma é a vacina”, prometendo vacinar milhões de Brasileiros nos próximos meses. A tentativa de limpar a barra do presidente até faria efeito se não houvesse tantos registros em que ele faz questão descredibilizar o imunizante.

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No país em que quase 270 mil pessoas morreram por complicações da Covid-19, é impossível esquecer que o presidente disse há alguns dias que “tem idiota que a gente vê nas redes sociais, na imprensa, [dizendo] ‘vai comprar vacina’. Só se for na casa da tua mãe”. Também não sai da memória o dia que o ex-deputado mandou “procurar outro para pagar tua vacina” em ataque a Doria.

A realidade é que Bolsonaro vê Lula como grande adversário, além de uma ameaça a sua reeleição. Nos próximos dias veremos um presidente sendo contrário a diversas coisas que fez e falou desde que chegou a Presidência da República, na tentativa de ludibriar a população.

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*Este artigo não reflete a opinião do Portal Comunica CE

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